Entrevista: Miguel Paludo, #32

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Quando foi o diagnóstico do diabetes, como evoluiu no tratamento e como você está hoje?
Foi um choque grande, os primeiros dias,consultas com médicos  o tratamento. Eu tinha 21 anos e estava perdendo bastante peso com a visão embaçada. Desde o inicio uso as mesmas insulinas e injeções diárias. Hoje estou super bem, mantenho meus níveis entre 80 e 120 e tenho uma vida normal.

 

Você tem um longo histórico no automobilismo, fale um pouco sobre essa evolução.
Comecei em 1997 andando de kart e conquistando um campeonato regional. Depois em 2004 corri de Corsa em um campeonato regional em dupla com meu irmão  vencemos a 4 corrida da temporada e tive a oportunidade de competir na Copa Clio, um campeonato brasileiro. Em 2008 surgiu competi na Porsche GT3 Cup Brasil, vencendo 3 corridas e sendo Campeão no primeiro ano. Em 2009 fui Bi-Campeão da categoria, com 10 vitorias. No ano seguinte fui competir na NASCAR.

Você está na 2ª temporada da NASCAR Truck Series, e temos acompanhado seu espírito competitivo e seus resultados. Como surgiu essa oportunidade e o que é a categoria NASCAR? Como está o campeonato?
Em 2010 testei na NASCAR, corri na K&N East Series e quatro provas na Truck Series(3 divisao da NASCAR) com 2 Top 10. Atualmente estou na minha segunda temporada completa nessa categoria, conquistei diversos Top5 e Top10 e fui o primeiro brasileiro fazer uma pole na NASCAR (Daytona) e o primeiro piloto a liderar o maior numero de voltas em uma corrida naquela pista. A categoria e extremamente competitiva, o campeonato e composto de 22 corridas ao redor dos Estados Unidos, os testes são permitidos em pistas que não fazem parte do calendário oficial e os trucks não tem nenhuma telemetria. A cada corrida alinham 36 trucks e estou em 10 lugar no campeonato atualmente.

Para alcançar esse nível de rendimento, vc precisou se adaptar em algumas questões técnicas durante treinos e competições em relação ao diabetes? Como (e quantas vezes) são feitas as medições glicêmicas e aplicação de insulinas?
Existe alguma limitação para o esporte?
Sim. Sempre procuro estar no lado seguro(como costumo chamar). Faco teste de dedo sempre antes de entrar na pista, tenho Gatorade (com açúcar  e aguá em reservatórios separados e ao meu alcance durante todo o tempo que estou dentro do truck. Quando a competição acaba, faco outro teste e corrijo se necessário. Nunca tive problema de hipoglicemia. Faco ponta de dedo 8 vezes ao dia.

Como trabalho de preparação física, quais atividades esportivas vc pratica fora dos ovais (pistas) e com que frequência?
Tenho uma personal trainer e malho de 2 a 3 vezes por semana. Em 2011 participei da Meia Maratona de Charlotte, perto de onde moro, na Carolina do Norte. Procuro me manter sempre ativo e cuidar da minha saúde. 

Sabemos da importância do envolvimento da família em suas atividades, e tb em relação ao diabetes pois traz inspiração. Sua esposa (Patricia Paludo) e filho (Oliver Paludo) sempre estão nas pistas te acompanhando. O recente diagnóstico do seu filho Oliver te influencia de que maneira?
Influenciou e muito de uma maneira positiva. Foram momentos super dificeis pois ele tinha 8 meses quando foi diagnosticado. Atualmente esta usando uma bomba de insulina e esta super bem. Patricia tem sempre sido tudo para mim e Oliver, sabe muito sobre Diabetes e esta sempre envolvida em aprender. Atualmente faco acoes com layouts especiais nos trucks e fora da pista tambem, com o intuito de que mais e mais pessoas entendam sobre o diabetes e possam ajudar parentes e amigos proximos que sofrem da doenca.
 
Ainda em relação ao diabetes, como é envolvimento com a organização (NASCAR), sua equipe e patrocinadores?
A NASCAR tem nos apoiado bastante. Na corrida de Phoenix, na sexta feira, estarei com uma câmera on board em função do layout do Dia Mundial do Diabetes(World Diabetes Day). Fizeram um especial na nossa casa para falar sobre o diagnostico do Oliver alguns meses atras e tem sido grandes parceiros. Minha equipe, meus patrocinadores e todos que me cercam sabem sobre a doença  procuro dar uma ideia do todo a todos.

Nas transmissões do campeonato pelo canal Fox Sports com frequência os narradores citam você como sendo um piloto muito técnico, de excelente regularidade nas competições e destacam a causa social que você abraçou. Nas próximas etapas você correrá com um novo lay out de pintura na pick up, promovendo o Dia Mundial do Diabetes. Você imagina o alcance e impacto positivo disso no seu país e no mundo?
Não tenho a noção exata do alcance total, mas a minha maior realização é de estar engajado nessa causa. Tenho orgulho de poder representar os diabéticos e o dia mundial através do layout.

No dia 16 de novembro, no Homestead  Miami Speedway,  será a última prova da temporada, qual é sua expectativa? Podemos esperar um top5?
Por que não? Estamos sempre competitivos nos treinos e classificação, dentro do Top. Estamos trabalhando para melhorar nossa performance nas corridas, e vamos chegar lá.

Com o final de temporada se aproximando, existe alguma previsão de participar de alguma competição promocional no Brasil?
Não, nosso plano é passar o final de ano aqui nos Eua.

Quais são suas expectativas e possibilidades para 2013? poderá surgir uma renovação de contrato ou mudança de categoria?
 Ainda estou trabalhando nisso, o anúncio deve ocorrer em breve.

Como soube do Diabetes & Desportes e como enxerga a atuação social desse time?
Soube através do Kener. Acho importantíssimo a atuação desse time, no fim do dia, estamos todos unidos com o mesmo objetivos, de conscientização, aprendizado, qualidade de vida e cura do Diabetes.

Com a data do Dia Mundial do Diabetes próxima, deixe uma mensagem para todos:
O Diabetes não me impede de fazer nada. Tenho uma vida completamente normal e saudável e gostaria que todos que sofram dela possam ao menos saber que isso é possível.

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