Uma Ironman com géis, isotônicos e insulina: um desafio a mais em Floripa

.

Nada impede, se houver planejamento”. Essas foram as palavras de Andrigo Beber, 31 anos, dentista, casado, triatleta e diabético. Ele vai participar do Ironman Brasil 2012, o primeiro de sua carreira.

Aos treze anos, ele descobriu que era diabético, ficou perdido, pois não tinha conhecimento a respeito da doença, mas desde então começou a tomar os cuidados necessários e nunca deixou de fazer nada. Segundo ele, “a doença não é incapacitante”.

Iniciou a jornada esportiva no Triathlon já com diabete, e sua primeira prova oficial foi em 2006 em um short Triatlon. A partir daí, a distância foi só aumentando. Em 2010, ele fez o seu primeiro Long Distance, o Ironman 70.3 de Penha /SC. Foi aí que percebeu que se dava melhor neste tipo de prova e que precisava fazer um completo, o Ironman Brasil.

Ao se inscrever, assim como qualquer atleta, começou a sua dura rotina de treinos. Fez longos de pedal, de corrida, simulados, sempre trabalhando volume. Mas além do físico, ele tinha um rigoroso controle de açúcar no sangue, principalmente durante os treinamentos; Era necessário parar no percurso para medir sua glicemia. Andrigo sempre teve acompanhamento médico para deixar o nível de açúcar no limite adequado.

No dia da prova ele pretende completar bem, no tempo de treze horas. Para controlar o açúcar no sangue ele irá utilizar o glicosímetro ao sair da primeira perna da natação, e quando necessário durante o pedal e a corrida. Sua preocupação será na água, pois ficará um tempo muito longo sem poder controlar o nível de glicose, já que não terá como carregar o aparelho muito menos parar para medir. Com relação à  alimentação, ele está bem abastecido, vai levar batatinhas, bisnaguinhas, gel de carboidrato, chocolate, barra de proteína e por ai vai.

O que ninguém percebe é que a diabete tem seu ponto positivo. Segundo Vinícius Santana, triatleta, técnico e um Ironman, o fato do atleta medir frequentemente a taxa de glicose faz com que ele possa ter um acompanhamento de dados que lhe proporciona um melhor planejamento técnico. Ele recomenda que, em consequência da diabete acarretar uma maior perda de sais minerais pela urina, durante a prova o consumo de eletrólitos seja maior para balancear este desequilíbrio.

Andrigo vê como seu único adversário ele mesmo: “eu que vou fazer eu ganhar ou desistir”. E que a diabete só é um ponto a mais pra cuidar na prova. Seus companheiros de prova serão seus amigos de Blumenau, seus pensamentos e a insulina, além do apoio da família.

.

Matéria original publicada no site MundoTri.

.

Share