Entrevista: Monica Otero

Um bate papo com Monica Otero, DM2 que embarcou no último dia 25 de junho para a Badwater Ultramarathon em Death Valley, Deserto de Mojave, Califórnia – USA.

D&D: Uma ultramaratona em um lugar chamado de “Vale da morte” é algo que realmente desafiador. Você foi a primeira mulher da America do Sul a completar as 135 milhas da Badwater Ultramarathon em 2007. Como é essa prova?

MO: Tive o privilégio de ser a primeira mulher da America do Sul a competir nessa prova. Badwater é a prova “mãe” do circuito BAD 135. Ela existe há 33 anos e deu origem a Arrowhead (prova no gelo) em Minessota/USA, Brazil 135 (prova nas montanhas) aqui no Brasil e agora também a Europe 135 na Alemanha e futuramente a Bolivia entrará no circuito. São 135 milhas (217 Km) que o atleta acompanhado de um carro e no mínimo 2 pessoas, e terá que percorrer a distância em até 60 horas ininterruptas numa estrada de asfalto que atravessa o tão temido Deserto de Mojave, na California. A largada acontece em Badwater a 85m abaixo do nível do mar, e a chegada no MT. Whitney a 2.530m de elevação. Acredito que o maior desafio não seja percorrer as 135 milhas, nem tampouco a altimetria da prova assusta, mas sim vencer o calor que mesmo a noite continua muito quente variando entre 50 e 60º positivos.

D&D: Sabemos que Badwater é para poucos, devido às condições extremas de temperaturas elevadas. Há quanto tempo está em treinamento e o que espera enfrentar por lá?

MO: Recebí o e-mail da Badwater Race Office no dia 19 de fevereiro, me parabenizando pela qualificação e a partir desta data respiro e transpiro Badwater. Estou totalmente focada nos treinos que consiste em musculação, pilates, corrida em diversas situações e estou treinando também na piscina visando diminuir o impacto. A experiência também ajuda, pois o corpo precisa estar adaptado para longas distâncias, e assim tem sido nas provas em que participei por aqui. O que espero enfrentar por lá? A certeza da temperatura altíssima.

D&D: você é considerada uma atleta de excelente resistência física e psicológica, fatores essenciais para o ultramaratonista. Como conseguiu ter um bom relacionamento com o diabetes ao ponto de ter segurança para prosseguir fazendo o que gosta?

MO: A resistência física e psicológica só vem com o tempo. Tenho diabetes tipo 2 e o controle é feito através da alimentação e medicação oral, sem falar a prática de exercícios. O que sempre procuro ter um bom controle para continuar fazendo o que gosto. A segurança também vem com o tempo até conseguir o equilíbrio. Parte disso consegui através de 3 pessoas muito especiais: Alexei Caio, Emerson Bisan e Kener Assis e também com as informações dos amigos da nossa lista Diabetes & Desportes.

D&D: um dos fatores para o sucesso nessa prova é o time de staff/pacer, e todo o trabalho que eles enfrentarão no decorrer dos 217 km. Que estrutura você terá a sua disposição? O investimento é alto?

MO: Com toda a certeza eu afirmo que o trabalho dos staffs é fundamental. Se a equipe quebra o atleta também quebra, e sem eles o atleta não pode prosseguir. É obrigado a parar. Vou ter o apoio do Sr. Clemente, massagista que cuida de atletas há 30 anos e que está na profissão há 50 e que também me acompanhou em janeiro deste ano quando fiz a Brazil 135. Vou ter uma enfermeira americana, a Alexis Jakobs, que também é diabética e sua função será a de monitorar e controlar a glicemia, a pressão arterial e fazer todas as anotações necessárias. A Maria Rita, amiga e ultramaratonista de Manaus, do fotógrafo americano Kevin Slowick e provavelmente mais 2 atletas americanos se revezarão na corrida e todos terão que dirigir o carro de apoio.
Estou tendo a colaboração de todos na parte financeira, cada um assumindo os seus gastos até chegar em Las Vegas. A partir de Vegas, todas as despesas com alimentação, hotel, combustível, aluguel de carro e até o nosso retorno para Vegas novamente é por minha conta. Somente a inscrição é USD$ 930… pois é… a brincadeira sai caro!!!!

D&D: em relação ao controle do diabetes, qual será sua estratégia para as medições de glicemia, correções, alimentação, hidratação, suplementação, etc??

MO: Vou medir a glicemia de hora em hora e o controle acredito que será totalmente através da alimentação. A hidratação deve começar assim que colocamos os pés naquele calor infernal, muitos dias antes, tomando líquido o dia inteiro para acostumar o estômago com um volume maior e saber correr dessa forma. Eu ainda estou montando a minha estratégia, mas muitas vezes quebramos cabeça montando estratégias mirabolantes. Temos plano A, B e C e por último ainda como muitos dizem “uma carta na manga” e mesmo com tudo isso às vezes algo não sai como planejado. O que fazer? Usar a sua experiência, praticar o exercício da paciência e acreditar na sua intuição, pois serão muitos km e horas.

D&D: Nosso time Diabetes & Desportes estará acompanhando sua participação em Badwater e ficaremos na torcida para que alcance seu objetivo.

MO: Obrigada pela torcida e acredito que nós do Diabetes & Desportes realmente somos um time, onde o sucesso de um é o sucesso de todos. Até a volta!!

Site da prova: http://www.badwater.com/

 

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