Entrevista da semana: Jean Floriani

Na entrevista desta semana, concedida à Kener Assis, falaremos com o Jean. Ele nos contará de como foi o diagnóstico de seu diabetes, como a atividade física ajuda no seu controle e qual a expectativa dele para sua participação no IronMan Brasil que acontece neste próximo fim de semana em Florianópolis.

D&D: O que te levou para os esportes, para o triathlo e, especialmente, para o Ironman?

 JF: Pratiquei basquete a vida inteira. A única época em que deixei o esporte de lado, na fase final da faculdade de computação, foi quando o diabetes apareceu. Ele me deu então motivação para voltar a praticar esportes, mais especificamente a natação, como também as trilhas e os passeios de bike. E por coincidência, em 2005, num desses passeios de bike, quando eu e meu sobrinho passávamos por Jurerê, foi que dei de cara com a cidade IronMan. Era um sábado e os atletas estavam chegando para o bike check-in. Achamos muito legal toda aquela movimentação, as bikes, os equipamentos e principalmente o clima e o astral na véspera da prova. No dia seguinte, estava lá assistindo e conhecendo o esporte que pratico desde então. De lá pra cá, já trabalhei três vezes como Staff Voluntário (recomendo) e no último ano fui apenas assistir para poder curtir a prova e acompanhar os amigos que estavam competindo. Mas o que mais me impressionou, logo que conheci o IronMan, foi o depoimento de um atleta, diabético, que já havia completado por 10 vezes a prova, chamado Marcelo Bellon. Isso foi o que me levou a pensar que um dia também poderia estar lá na linha de partida.

D&D: De que forma o diabetes influencia nos seus treinos? Como é seu tratamento e quais os principais cuidados que se deve levar em conta?

 JF: O diabetes influencia diretamente nos treinos e é uma companheira inseparável (ai de mim esquecer dela). No início da “carreira”, como triatleta, não lhe dava a atenção devida. Cheguei a fazer provas longas sem, sequer, monitorar a glicemia. Resultado: péssimo desempenho, descontrole constante e conseqüências desastrosas na vida pessoal. Foi então que procurei uma amiga da família, mestre em Educação Física, com foco no exercício físico e diabetes, que me indicou uma excelente endocrinologista. Na primeira consulta, a médica perguntou quantas vezes por dia eu media a glicemia e eu respondi que umas 3 a 4 vezes por semana. Ela quase teve um treco! Depois de quase duas horas de consulta, mudou o tratamento e me deixou atualizado em relação ao que existia de melhor e mais moderno para tratar o diabetes. Assim, desde a primeira consulta, em 2007, tenho plena consciência de que a melhor maneira de praticar qualquer atividade física é fazer um monitoramento constante da glicemia, cuidar da alimentação e conhecer o prórpio corpo, e como ele “responde” a cada tipo de alimento e condições diversas, como stress, falta de sono, etc. Atualmente, carrego sempre o glicosimetro para medir a glicemia antes, depois e a cada hora de exercício. Outro item indispensável são os géis de carboidrato, utilizados para manter a energia em alta. Estes são ingeridos de forma planejada para manter a glicemia numa taxa ideal para prática desportiva.

D&D: Como você concilia treinos, trabalho, família, etc…? Qual a carga horária semanal de treinos?

 JF: O treino é a melhor e mais divertida parte dessa história, por mais difícil e puxado que seja. A maior dificuldade é conciliar treinos, família e trabalho, pois os treinos para o IronMan são puxados e muitas vezes te deixam cansado. Só que quando você chega em casa, encontra mulher e filhos te esperando pra passear, brincar, enfim, viver, e o que você mais quer é tomar um banho e cama. O mesmo serve para o trabalho, onde você também é exigido e, é claro, tem que render e corresponder às expectativas. Mas o legal é que todo esse treino te deixa com “gás” e sem medo de encarar os desafios que a vida te traz.

Sou analista de sistemas, trabalho para IBM, em home office. Tenho dois filhos, a Mariana, de 8 anos, e o Pedro, de 3. Minha esposa trabalha fora e também precisa de seus momentos de descanso. Então, a palavra que meus pequenos mais ouvem lá em casa é: estou cansado. O lado mais engraçado é quando eles nos copiam, dizendo que estão muito cansados também.

A respeito dos treinos, faço 2 de natação e 2 de corrida. Nos finais de semana é quando faço treinamentos mais longos, como os de transição e longos de bike. Portanto, a carga horária semanal varia entre 10 a 15 horas. É o máximo que consigo fazer. Isso porque nem sempre consigo cumprir a planilha semanal de treinos, não por falta de vontade, mas por outros fatores como família e trabalho.

D&D: No dia 30/5 as 07:00h será a hora da largada, um momento único, qual sua expectativa em participar do Ironman Brasil 2010?

JF: É a realização de um sonho antigo, cultivado desde 2005. E foi esse sonho que trouxe muitas coisas legais, como por exemplo, conhecer e me tornar membro da lista Diabetes & Desportes, fazer grandes amigos e vencedores como você, Marlcelo Bellon, Alexei Caio, Sônia, todos da ADJ. Também permitiu que eu conhecesse melhor meu corpo, até onde ele pode ou não pode ir, suas limitações e o que fazer para transpô-las.

Mas a principal expectativa é viver o momento da prova, curtir cada etapa e estar lá em Jurerê com outros 1.650 participantes. Não sou atleta de elite, não tenho assim expectativa de tempo de chegada, mas nem por isso vou deixar de forçar nas três modalidades: natação, ciclismo e corrida. Penso em fazer o que está planejado e o que realizei nos treinos, mas com muita energia e força de vontade. Afinal, essa prova, pra mim, é umas das mais belas que existe, pois consegue reunir atletas de elite e amadores, homens e mulheres, jovens e não tão jovens assim. Desejo força e boa sorte a todos os participantes, e àqueles que não estão inscritos, que acompanhem e assistam, pois vale a pena. Gostaria de encerrar agradecendo a oportunidade de compartilhar estes pensamentos e também com uma frase que resume o IronMan: “Anything is Possible”.

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