Entrevista: Emerson Bisan

Nesta entrevista estaremos falando com Emerson Bisan: Professor de educação física e técnico de muitos atletas com diabetes, inclusive dele próprio. Emerson já participou de várias ultramaratonas e hoje dirige a assessoria esportiva Nova Equipe.

D&D: Quem é o Emerson?

EB: Meu nome é Emerson Bisan, tenho 36 anos, sou professor de educação física formado pela UMC e especializado em treinamento desportivo na Academia Estatal de Cultura Física de Moscou (Rússia).

D&D: Como foi o diagnóstico do seu diabetes?

EB: Ainda na faculdade. Eu tinha conhecimento dos sintomas através de uma aula de socorros e urgências de saúde. Com os primeiros sintomas já desconfiei e fui ao médico, pois tinha perdido 6 quilos em 2 semanas.

D&D: Como o diagnóstico do diabetes afetou sua profissão?

EB: Sabia que sempre trabalharia com esportes, mas a prática da corrida de longa duração treinando para maratonas me fez descobrir que este era o melhor esporte para meu controle e passei a me especializar neste ramo da educação física, com atividades específicas para o tratamento.

D&D: Como é o seu controle no dia a dia? Medições, número de aplicações de insulina etc. Você evolui de alguma forma no tratamento desde o diagnóstico?

EB: Faço o controle da glicemia com insulina basal Lantus pela manhã e doses bôlus com Humalog nas refeições e correções. São de 6 a 10 medições de glicemia por dia utilizando o aparelho Roche Accu-Chek Active, pois este é o aparelho compatível com as tiras que recebo da prefeitura. Meu tratamento teve grande interferência de amigos com grande experiênciaem diabetes pela própria convivência e por vasta interação através da lista de discussão Diabetes & Desportes. Os caras me aconselharam a discutir com meu médico um novo tratamento, mais moderno, e com essa mudança e muitas trocas de experiências e idéias, minha Hemoglobina Glicada caiu para 6,9%.

D&D: Dentre os seus desafios, qual foi o mais marcante? Como foi seu manejo do diabetes neste evento? Fale de outros eventos importantes.

EB: O primeiro desafio, a princípio, era provar para mim mesmo que a doença não me deixaria incapaz de nada e de qualquer coisa, e um ano após o diagnóstico, completei minha primeira maratona com o tempo de 4h02. Mais um ano de treinamento e baixei meu tempo para 2h54, num ano de 1997 incrível onde fiz simplemente as 4 melhores maratonas em um ano: Rio de Janeiro 3h06, São Paulo 2h54, Blumenau 2h54 e Curitiba 3h00. Depois veio a primeira Ultra de 24 Horas e ganhei na minha categoria por idade com a distância de 127 kms. Em 2005, quando fiz 15 anos de diabético e maratonista, completei as 7 principais maratonas do Brasil: Das Águas, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Blumenau, Floripa e Curitiba. E este ano fechei o desafio mais difícil de minha vida na Brazil 135 (prova de 217 km no sul de Minas) em 51 horas, que é reconhecida como uma das mais difíceis do mundo. Lá tudo foi muito controlado e durante as 51 horas eu fazia medições de hora em hora, além da redução da insulina basal que foi estudada em anos de treinamento para se evitar as hipoglicemias. A alimentação foi planejada de acordo com o que havia experimentado nos treinos e provas anteriores, com reposição isotônica, hídrica, de carboidratos em todas as formas e variações possíveis, chamando a atenção para nossas balas de goma e Coca-cola. A missão foi bem comprida e cumprida sem nenhum problema que me impedisse de no dia seguinte dar minhas aulas de corrida.

D&D: O que planeja fazer no futuro? Tanto profissional, como familiar, desafios etc.

EB: Para o futuro? Já fiz a BR135 em trio com a Equipe D&D formada por mim, Alexei e Bellon, onde conseguimos a medalha de Bronze. Neste ano fiz os 217 km solo em 51 horas o que me garantiu a medalha de Prata. Então o objetivo para janeiro de 2011 é buscar o Ouro, baixando das 48 horas. Para isso tenho na programação do ano: 2 vezes os 75 km da Bertioga-Maresias, as maratonas do Brasil, os 84 km do Praias & Trilhas em Floripa e talvez uma prova de 24 Horas além de muitos outros treinos bacanas. Profissionalmente quero este ano de uma vez por todas retribuir o que o diabetes fez por mim e vincular o meu trabalho com corridas ao tratamento à Diabéticos e o primeiro passo foi colocar o logo do D&D no uniforme da minha empresa e na tenda de apoio nas provas. Familiar: após entrarmos em nosso novo apartamento este ano, eu, minha esposa Áurea e minhas filhas Isadora e Gabriela pretendemos nos preparar para o desafio do Pateta e irmos juntos para a Disney.

D&D: Quer deixar uma mensagem para as pessoas que tem diabetes?

EB: A minha mensagem é sempre tentar tirar coisas boas de qualquer situação que seja e não perder tempo lamentando e procurando uma desculpa para as coisas sem ganhar tempo resolvendo-as. Me manter como exemplo para pessoas mesmo que não sejam minhas filhas, me motiva e serve de combustível para me manter sempre me cuidando.

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