Rumo a Porto Alegre: Luciano Martins e a expectativa da estreia nos 42 km

LucianoMartinsA preparação para a estreia na maratona é um momento especial e marcante. Difícil esquecer dos detalhes, da experiência, da evolução dos treinos em busca pelo então desconhecido. Muitos corredores vivem hoje esse momento: de correr pela primeira vez os 42 km amanhã, em Porto Alegre. Luciano Martins irá correr em casa e vive essa expectativa. Como personagem desse capítulo da série, ela representa todos os estreantes em Porto Alegre.

“Toda pessoa quando decide iniciar a prática de uma atividade física tem um motivo para isto. Seja para ter um passatempo, para um desafio pessoal ou pela própria saúde que foi o motivo pela qual iniciei minha história esportiva na corrida, lá em uma tarde ensolarada de um sábado no ano de 2011.

Quando resolvi correr, estava bem sedentário e precisando fazer alguma coisa que me motivasse. Havia me formado e minha rotina era casa – trabalho – casa. Estava cansado de chegar em casa e ficar assistindo aos programas na TV. A saúde também pedia um empurrãozinho para se ajeitar. Sou diabético tipo 1 há 12 anos. A atividade física ajuda muito a equilibrar a glicemia. Baseado nisto, decidi optar em iniciar a correr.

Não tinha noção de como iria dar início a esta prática. Achava que já tinha que correr todo o tempo sem parar e acabava me frustrando por não ter condições. Comecei a procurar orientações pela internet e fui adaptando ao meu treino. Estipulei como meta correr uma prova em seis meses. Treinei por esse período e realizei o sonho da primeira prova de 5 km. A partir daí, os treinos foram apresentando resultados positivos e, assim, aparecendo novos desafios, provas de 5 e 10 km, mas sempre treinando sozinho.

No segundo semestre de 2012 fui acolhido pelos professores de atletismo do CETE (Centro Estadual de Treinamento Esportivo) aqui em Porto Alegre. Melhorei a forma de treino, conquistei ótimos tempos, tendo em vista que era uma pessoa leiga na corrida e parti para novos desafios. Motivado por um “concurso” da própria Revista Contra-Relógio, que era realizar uma prova de 10 km abaixo de 50 minutos, fui atrás deste objetivo. Conquistei a camiseta sonhada. No ano seguinte, surgiu outro desafio na revista que era o sub 1h50 nos 21 km. Treinei, fui lá e consegui novamente conquistar a camiseta.

Sou movido a superações pessoais, a competição é comigo mesmo. Então, faltava a tão almejada maratona, que realizaria em 2014. Treinos iniciaram de forma gradativa, mas com carga pesada para mim ainda. Aguentei o treinamento por um período e acabei me lesionando fortemente, ficando parado com as corridas por aproximadamente oito meses. Adiando o sonho.

Tenho uma característica que acredito ser boa: a persistência. Fiz muita fisioterapia neste período, troquei diversas vezes de fisioterapeutas procurando um retorno mais rápido aos treinos. Neste período, comecei a praticar natação e a pedalar, esportes nos quais não sentia dor alguma. Decidi procurar meu atual treinador, o Marcelo Diniz, da MD Multisport. Montou uma planilha para mim com os dois esportes e me indicou um médico para ajudar no tratamento. Neste momento, começou a mudar novamente meu pensamento, pois acabei entrando para o triatlo.

Fomos inserindo a corrida novamente de forma gradual, após o tratamento. Achei que teria uma volta muito lenta na corrida, mas me surpreendi. Voltei me sentindo bem, fiz a Volta a Ilha, em 2015, com a equipe da ADJ (Associação de Diabetes Juvenil), não senti dores, um ótimo sinal. Continuei realizando algumas provas de corrida e também de provas de triatlo durante todo o ano.

Mas faltava ainda o desejo de tentar finalizar uma maratona. No inicio do ano, dei início ao projeto de correr os 42,195 m. Rotina pesada de treinos, conciliar os três esportes, mais a musculação para fortalecimento, não é tarefa fácil. É treinar todos os dias da semana, com dias de três turnos de treino. Falta de tempo para treinar? A gente sempre acha que não tem, mas querendo a gente consegue inserir na rotina. Em conversa com amigos, comento as vezes que acordo 4 horas para treinar e eles não acreditam. Os treinos para mim não são encarados como um fardo pesado que tivesse de carregar. Gosto da rotina de treinos e não preciso de muitas provas para ser feliz.

O treino para Maratona de Porto Alegre ocupou praticamente todo o primeiro semestre no ano. Fiz muitos trotes, tiros, longões. Em diversas condições climáticas, como calor, chuva e frio. Deixei de fazer algumas coisas durante este período? Sim, posso ter deixado, sou focado quando coloca uma coisa na cabeça.

Agora chegou a hora e não dá mais para voltar. A lesão? Sim, as dores voltaram, a fadiga chegou também. Mas agora é hora de realizar mais este sonho tentando superar na força todo o desejo de completar uma maratona que será a primeira e no quintal de casa. Onde o trajeto é onde percorro praticamente todos os dias.”

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