Boratreinar: VOLTA À ILHA: MIRIÃ FONSECA É ‘DIABETES E DESPORTES’

Aos 32 anos, a nutricionista Miriã Fonseca está pronta para correr a Volta à Ilha com a equipe ‘Diabetes e Desportes’. Moradora de Santos, litoral paulista, Miriã fala um pouco sobre sua relação com a corrida e como o esporte pode ser um bom caminho para manter o corpo em equilíbrio.

Como e quando você começou a praticar mais intensamente a corrida?

Comecei a correr há três anos, treinando para minha primeira corrida de 10k, em maio de 2014. Em 2015 procurei uma assessoria e intensifiquei os treinos com o intuito de diminuir o tempo para minha segunda Meia Maratona, que consegui concluir em 1h44min58. Atualmente treino para a minha primeira maratona oficial.

wrun

Como o diabetes interfere nisso?

Ter diabetes não me limita. Não posso afirmar que todos os dias ‘são flores’. Como todo portador de diabetes, tenho dias bons e ruins. A a corrida auxilia muito no controle do Diabetes, sempre cuidando para manter níveis estáveis, prevenindo casos de hipoglicemias e hiperglicemias. Se não me atentar à importância de um bom cuidado em geral, elas acabam atrapalhando o desempenho durante o treino

De que forma a corrida te ajuda a manter-se saudável?

Com o esporte e a corrida eu eliminei 30 quilos. Sempre pratiquei atividade física de forma esporádica e mantinha um corpo magro. Porém o descontrole glicêmico e o ‘desleixo’ fizeram com que ganhasse 20 quilos. Aí me em uma roleta russa. Foi um alerta para o fato de que a um diabético não basta ‘tomar insulina’. Vários outros fatores interferem. Foi um start!

Voltei a ter uma vida ativa, a seguir uma alimentação saudável, e, apesar de ser uma corredora amadora, me encontrei na corrida. É um esporte que me mantém em equilíbrio, tanto na saúde física como mental.

medalhas

As pessoas se surpreendem ao saber que você corre mesmo tendo diabetes?

Sim. Apesar do fácil acesso às informações sobre o diabetes, as pessoas ainda têm uma visão errada e colocam diabéticos na posição de ‘vítima’. Muitas vezes ouvimos comentários como: ‘Nossa, mas você é tão jovem, coitadinha!’.

Porém, com um trabalho de divulgação em redes sociais, mídia televisiva, campanhas de prevenção e com o crescimento do número de Atletas Diabéticos (amadores ou profissionais), isso tem mudado. E é gratificante servir de exemplo para muitos  que colocam limitações pessoais. Você controla o diabetes, não deixe que a doença controle você!

E isso ainda te surpreende? O fato de as pessoas ainda se surpreenderem…

Nos casos negativos sim. Quando alguém acha que é uma limitação, seja por falta de informação ou falta de interesse, ainda me surpreende.

Como muitos, sou usuária de Sistema de Infusão de Insulina (vulgarmente chamado de pâncreas artificial), e me surpreende até a falta de informação de profissionais de saúde quanto à isso, quanto à pratica de atividades físicas e a necessidade de tal.

primeira-prova-10k

Como são os seus treinos?

Atualmente meus treinos são orientados pela Assessoria Márcia Proença Fitness e Running (Santos/SP). Corro quatro vezes por semana, intervalando com treino de fortalecimento para evitar lesões.

A cada nova meta que proponho a treinadora, ela me orienta com planilhas específicas de corrida e treino.

Qual a expectativa de integrar esta equipe na Volta a Ilha? Como foi sua preparação?

Acima de tudo, a Volta à Ilha com uma Equipe de Diabéticos é sempre exemplo de superação de limites. É saber que um entenderá o outro e estará disposto a ajudar e compreender, pois a integração e a união são necessárias. É o segundo ano que participo da Volta e é gratificante poder correr ao lado de atletas que admiro e nos quais me espelho desde o início do meu diagnóstico.

Fazemos novos amigos e reencontramos outros. Corremos e apesar da ‘pressão pessoal’ para ter um bom desempenho, são horas de corrida com o astral lá em cima. De todas, é a prova que mais aguardo o ano todo. O lugar é lindo e a equipe é excepcional. Se acham que o diabetes nos limita, essa é uma das provas que demonstra o contrário.

Quanto ao preparo para a prova…

Mantenho uma rotina de treinos diária e intensa. Também cuido da alimentação e do controle do diabetes. Em março (um mês e meio pré prova), fui diagnosticada com Zika Vírus. Foi uma grande frustração, pois me parou por quase um mês.

O contágio do Zika Vírus me trouxe consequências as quais não esperava. Com uma semana de diagnóstico fiquei sem mobilidade nas pernas por três dias, debilitada e não segurando hidratação mesmo em repouso. Conversei com o responsável pela equipe e pensei muito em desistir. Não me achava em condições físicas para fazer parte do grupo, podendo prejudicar o desempenho dos demais.

Recebi dele um feedback incrível e motivador, lembrando do respeito ao meu corpo e da necessidade de não ‘pular etapas’ do tratamento só para ir à prova. Após 25 dias eu já estava de volta à academia, recomeçando a ‘passos lentos’.

A frustração se tornou motivação e foco na recuperação. Voltei com caminhadas até conseguir correr pequenas distâncias, com acompanhamento médico, trabalho de fortalecimento, fisioterapia, medicamentosa e muita hidratação, conseguindo assim voltar aos treinos de média intensidade. E o melhor, com um controle glicêmico incrível!

Essa com certeza será uma prova linda, ao lado de pessoas queridas, sem competitividade, até pelo contrário, UNIÃO, essa é a palavra que faz a Equipe.

motivacional

Clique aqui para ver a notícia original.

Share