BR281 – O inferno começa depois do paraíso!

BR5

Emerson, Marcelo, Flávio e Alexei.

Na última semana um time mais que especial, formado apenas por atletas com diabetes, participou da corrida a pé mais longa e difícil da América Latina, a BR281.

O nome da corrida vem do BR de Brasil e 281 da distância em km a ser percorrida. E o limite para completa-la é de 60 horas.

Para um desafio tão grande, apenas atletas com determinado currículo podem participar. A organização do evento pode aceitar, ou não, a inscrição. E o time Diabetes&Desportes/Filhos do Vento/Nova Equipe foi aceito sem problemas.

A BR281 pode ser feita sozinho, em duplo ou em quarteto. E foi nesta última modalidade que o time D&D resolveu participar. A formação foi composta por Alexei Caio, Emerson Bisan, Marcelo Bellon e Flavio Aguiar. Os três primeiros já tinham experiência em correr sozinhos esta prova, mas quando ela tinha “apenas” 217 km (era chamada de BR135, com 135 milhas = 217 km). Já Flávio fez sua estreia como corredor, mas já tinha participado como equipe de apoio em diversas oportunidades.

E não era só com atletas que a equipe foi formada. Uma boa equipe de apoio é fundamental para o sucesso do time. As funções do apoio vão desde dirigir o carro, fazer “pace” e cuidar para que nada falte para os corredores. Foram convidados para isso Tomiko Egushi, Áurea Bisan, Debora Bisan e Edson Perrotti. Este último é médico e também tem diabetes.

A largada ocorreu no dia 14 às 20:00 na cidade de São João da Boa Vista, estado de São Paulo. O destino era a cidade de Campos do Jordão, cruzando várias cidades de São Paulo e também Minas Gerais.

A estratégia do time era de revezar trechos curtos para terem velocidade. Com poucas exceções, a maioria das trocas ocorria a cada 6 km. Desta forma o controle do diabetes ficava facilitado, pois não seria necessário realizar glicemias durante o trajeto, fazendo o controle apenas antes e depois de correr. E para dar mais seguranças aos atletas, todos estavam utilizando sensores de glicemia que as apresentava em tempo real.

Talvez muitos pensem que o grande desafio seria manter a glicemia em níveis satisfatórios, mas os atletas são muito experientes e conduziram muito bem o controle. O grande desafio foi driblar o sono. Afinal a equipe completou a prova em pouco mais de 43 horas, o que os deixou acordados por 2 noites seguidas. É aqui que uma grande equipe de apoio se destaca, mantendo tudo OK para que os atletas pudessem correr e descansar um pouco também.

O final desta aventura foi conforme o esperado. O time completou todo o trajeto, sem nenhum tipo de intercorrência relacionado, ou não, ao diabetes. Percorreram lindas paisagens por um terreno montanhoso que traz o desafio adicional de praticamente não ter nenhum terreno plano (ou você sobe ou você desce). Fortaleceram seus laços de amizade dentro de equipe e ganharam mais ainda o respeito dos outros corredores e da própria organização do evento. E, o principal, trouxeram esperança para muitas pessoas que tem diabetes, carregando uma mensagem positiva de se viver de forma plena e feliz mesmo tendo que se picar para fazer glicemia, tomar insulina e etc. Mostraram que sofrer com o diabetes, ou conviver com ele, é a opção que cada um faz. E esta última é bem melhor.

Abaixo a entrevista do Dr. Edson Perrotti logo após a chegada da BR281:

PS: Sobre o título desta notícia: quando a prova tinha apenas 217 Km, o que ocorreu até a última edição, a chegada era na cidade de Paraisópolis. Este ano a organização inovou e colocou outros 64km e que tinham um nível de dificuldade muito superior a qualquer outra parte do trajeto. A cereja do bolo!

BR281-2015

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