Machu Picchu Challenge – 09 atletas com diabetes

32 - 20140724_090646 (Copy)No inicio desse ano fui convidado a integrar uma expedição de atletas com diabetes à famosa cidade perdida de Machu Picchu. E teríamos o bônus de chegar à cidade perdida pelo passo de Salkantay. Um trekking considerado de mediano a dificil pela população local.

Um trekking de 04 dias passando ao lado da montanha Salkantay (6.271 m),a montanha selvagem escalada pela primeira vez em 1952. O passo fica a 4.640 m de altura.

A data escolhida para o grupo estar em Cuzco foi a partir de 17 de julho. E eis me em Cuzco na referida data. Eu juntamente com parte da equipe. O treeking começaria no dia 20 (domingo) e seguiria até o dia 25 de Julho (quinta feira).

A equipe, nessa expedição, foi composta de 08 países a saber : China, Índia, França, Espanha, Canadá, Estados Unidos, Perú e Brasil. E a equipe de filmagem, já conhecida por parte do grupo da Inglaterra. Assim teríamos 09 países envolvidos no desafio.

Começamos a conhecer parte da equipe pelo modelo virtual, através de troca de menssagens onde cada um ia se apresentando e colocando as expectativas sobre a viagem e a interação com o grupo.

Já no voo de Lima à Cuzco, conheci parte da equipe : Índia, China e Ilhas Canarias – Muito legal.

Ficamos hospedados no centro de Cuzco que nos permitiu caminhar pela região e fazer uma prévia aclimatação – essencial para realizar o desafio sem complicadores devido à altitude.

Cuzco fica a 3.200 m do nível do mar. São Paulo fica a 790 m do nível do mar. E por isso já se deve ter em mente uma aclimatação bem rigorosa para em 02 dias já estar com menos influências devidas a altitude. Nesse processo de aclimatação optei por utilizar diamox para facilitar e agilizar o processo. Que tem como efeito principal a diurese.

Chegamos e já no aeroporto fomos bem recebidos pelo pessoal do hotel que foi nos buscar. Eu, o integrante da Índia e a integrante da China estavam nesse voo.

O clima da cidade já pouco a pouco começa a nos invadir. Com os traços do povo local, com o clima, e a língua. E em inglês com parte da equipe que não fala espanhol.

Ficamos em Cuzco caminhando e aclimatando por 2 dias, passeando, e sendo impressos pela experiência andina. Memorável. Desde caminhadas no mercado central, e bairros menos turisticos até os pontos turisticos mais visitados.

Cheguei em Cuzco numa quinta feira e no domingo iniciariamos nossa jornada.

Pouco a pouco a equipe ia sendo montada, criada e reunida.

Antigos amigos da Tanzania revistos : Bruce, Mike, Delphine, Christophe , sempre de muito bom humor e boas saudades…… I Love it.

No Sábado logo cedo pela manhã fomos a uma estação de televisão participar de um programa médico especial para pessoas com diabetes.

Fomos entrevistados e apresentamos o projeto a comunidade local, juntamente foi feito um convite para vir nos conhecer no Hospital Local dentro de um bate papo com a população local com diabetes.

A experiência de se apresentar para o público local foi muito rica e importante para a nossa equipe descobrir realidades e ter alguma experiência do que ocorre na região, ou até mesmo no Perú.

No sábado a noite tivemos um debrieffing sobre como aconteceria a caminhada e o que levar , de que forma, através do guia Hendrik e ajudante de guia Andreas.

Começamos bem cedo as 04am, pois teríamos um deslocamento de ônibus por mais de 2h, principalmente em virtude de obras na estrada de acesso, e teríamos que passar antes do fechamento da mesma para implosões. Coisas do Perú.

Surpresas a parte, fizemos uma parada para um café rápido num vilarejo muito charmoso chamado Mollepata,  que esta a 2.850m, onde pudemos ver uma feira de produtos cultivados na região e muitas outras coisas como produtos locais, cultura, e população.

Com mais uma hora já estavamos nos despedindo do onibus e nos preparando para iniciar a caminhada. Conosco no ônibus tambem estavam toda a equipe de cavaleiros, cozinheiros, porteadores e guias, assim nessas 2 h de viagem já íamos tomando contato com essa equipe maravilhosa. Sem eles nada disso seria possível. E a eles temos um agradecimento profundo.

Apresentados equipe de apoio e equipe a ser guiada, começamos a subir. Seriam 4 dias de caminhada e o último dia para Machu Picchu. Os 2 primeiros dias subiríamos até o passo e desceríamos. Assim subimos bem no 1 dia.

Uma vista bem misturada de maré de morros a uma altitude de 2.800 – 3.300 m com uma vegetação rasteira e poucas florestas. A caminhada nesse primeiro dia foi bem agradável e alternada entre pequenos chuviscos e variação de temperatura aceitável ( nada muito extremo). Eu particularmente fiquei com o último grupo em razão de ritmos sendo estabelecidos ao longo da caminhada. (começamos as 10 am e eu terminei a caminhada as 19).

E chegando no acampamento nossas barracas já estavam montadas, nos esperando para servir um chá quente. (bem vindo naquele momento). Estávamos em Soraypampa a 3.880 m de altura.

No 2 dia acordamos cedo novamente pois nesse dia iriamos passar no ponto mais alto (4.640m) Salkantay Pass e descer muito – até os 2.900m onde estaria nosso acampamento : Challhuay. Estimando uma caminhada de até 10h. Ou seja, levantamos as 04 am e as 5 am estávamos todos preparados para subir.

Esse inicio de dia já foi bem mais dosado em função do aclive ser maior, pegamos trechos de neve, assistimos condores sobrevoar acima de nós (Bem Acima), entre inúmeras fotos e espetaculares paisagens!

Conseguimos parar para tirar fotos com os banners da expedição, e com a equipe toda. Eu também consegui com a bandeira do D&D. – Eba !!!

Também pudemos escutar uma avalanche que aconteceu no Salkantay. Sempre frondoso e inatingível. Espetacular !

Chegamos no ponto mais alto de nossa expedição e depoimentos, filmagens, agradecimentos, fotos, instantes de contemplação….. tudo isso foi feito e um grande agradecimento me tomou nos poucos minutos que ficamos no ponto mais alto. Contemplando a paisagem, a mobilização que foi feita para estar lá assim , com essa equipe fantástica.

Tínhamos que descer pois ainda iriamos almoçar mais a baixo e depois disso descer mais ainda. Sob a possibilidade de chegar no próximo acampamento a noite e com chuva.

Seguimos sendo escoltados pelo guia responsável por fechar o grupo e o cavalo de emergência para alguém do grupo (o hypo horse).

Descer é fácil! Será ? Claro que não! Joelhos para que te quero e muito cuidado para não torcer o pé e dizer adeus às unhas.

Chegamos no acampamento instalado para o almoço e já nos puzemos a comer. Fazia um pouco de frio e chovia….. ou seja nossa descida seria mais “emocionante”.

O grupo foi se dividindo em função da velocidade de cada um e de se manter nichos de conversa. E assim seguiu-se. Permaneci com os ultimos por poder conversar mais e ir tirando mais fotos da montanhas que deixavamos para trás.

Com o passar da tarde, barulho de trovão e mudanças de vegetação foram delatando uma chance bem real de chuva. E assim o foi. Numa trilha recheada de deslisamentos ( com mais de 100m de altura) e espaço para 1 pessoa e nada mais, a noite colaborou para desenhar uma nova adrenalina.

Estavamos em 3 pessoas nesse momento, com a noite caida, e chuva bem forte nos lavava a alma.

Eu somente com lanterna de cabeça, fomos descendo num misto de adrenalina e cuidado para não despencar, torcer o pé ou colidir com os cavalos que subiam na direção oposta.

Ficamos nessa experiencia por quase 1 h e eu tambem fazendo hipoglicemia.

Comi muito. Lanterna de cabeça a full, chuva lavando a alma e 2 colegas junto comigo para fazer valer cada passo dessa experiência. Eu adorei. E tambem fiquei meio preocupado.

Atrás de mim ainda restavam 02 integrantes da equipe que precisaram descer a cavalo, ora por problemas nos pés, ora por mal de montanha.

Chegamos, nós 3, sendo recebidos pelo restante da equipe com muita alegria e comemoração. E aguardavamos ainda os 2 finais.

As barracas ja estavam montadas porém nessa noite não havia mais barracas para os últimos, e as pressas, mais uma foi montada, debaixo de muita chuva.

Jantamos e mais um dia completo. Eba !!!!! Descansamos como rochas.

3 dia de caminhada seria bem leve. Iniciamos um pouco mais tarde as 7 am, e somente desceríamos por trilhas recheadas de floresta e/ou estrada de terra. Assim começamos nossa caminhada e bem descontraídos fomos descendo para o próximo acampamento (La Playa ). Esse dia foi bem relaxante , mas ainda com partes da trilha abençoadas por deslisamentos imensos. Passamos por um que tínhamos que olhar para cima para eventualmente desviar de alguma pedra ou vegetação que poderia descer. Adrenalina rolando forte. Chegamos cedo ao 3 acampamento e conseguimos descansar um pouco mais nessa tarde, ora jogando futebol ora arrumando nossas coisas.

Planejamento para o 4 dia seria….. adivinhem ? Acordar cedo as 04am e sair cedo. Porque teríamos uma montanha a vencer e este seria o dia ,mais longo de caminhada: aproximadamente 25 km.

Aqui parte do grupo apresentou problemas com os pés e devido à velocidade da caminhada decidimos dividir o grupo. Os que queriam e podiam passar pela montanha em um bom tempo e os demais que foram de ônibus até o ponto de encontro para o restante da caminhada ( logo após a montanha a ser vencida). Eu acabei escolhendo ir para a montanha pois me sentia muito bem e estava bem tranquilo frente aos dias anteriores.

O grupo que ficou dormiu até um pouco mais tarde, e nós as 4am já estávamos de pé para mais esse dia.

As 8 am estávamos no ponto mais alto da montanha com 800 m verticais vencidos gradativamente e agora era só descer e encontrar com o restante do grupo para almoçar.

A descida foi muito tranquila e gostosa pudemos observar já de um outro angulo a cidade perdida de Machu Picchu – Foi muito bonito ter esse contato dessa forma. E lá em baixo atravessamos uma ponte pênsil. Mais um pouco nos deparamos com uma obra de construção de uma usina hidroelétrica, encravada nas pedras. Assombrosa a obra e claro medo pelo acervo histórico ser completamente dizimado.

Nos encontramos com o restante do grupo e seguimos para almoçar num conjunto de instalações que davam suporte aos operários da obra bem como para os turistas que seguiam a visitar Machu Picchu , por Águas Calientes.

Aqui já estamos completamente imersos no modelo turístico e comercial de Machu Picchu. Até então estávamos mais em contato com a natureza e pouco ou nenhum com turismo (mais predatório).

Agora, respirávamos fundo e caminhávamos pela linha do trem em direção à Aguas Calientes juntamente com outra miríade de pessoas que também escolheram seguir pela mesma via para Machu Picchu.

Fotos, paradas para comer, rir, se divertir, brincar, admirar, contemplar …. e quase já escurecendo chegamos no hotel que nos receberia nesta nova noite em Aguas Calientes.

Check in Feito e partimos para comer. Provar comida tipica e saber como seria o dia seguinte: Chegar na cidade perdida de Machu Picchu, com mais muita gente.

O horário escolhido foi bem cedo, por logística da equipe de filmagem e também acesso a uma montanha em Machu Picchu: Wayna Picchu.

As 4 am levantamos novamente, fizemos o check out , guarda volume utilizado e partimos para a entrada do parque.

Nós e muitas outras pessoas.

Até então não fazia ideia de como seria, como aconteceriam as coisas, e pouco a pouco foi acontecendo.

Com um ingresso, comprado pela nossa expedição você passa pelo controle em baixo, ai sobe por quase 1 h de muitos lances de degraus, e depois disso chega ao portão de entrada de Machu Picchu, com um controle.

Entramos, a equipe de filmagem teve problemas porque em machu picchu não se pode filmar,porém a nossa equipe tinha autorização para tal e claro os locais resolveram criar problemas por isto.

Seguimos fazendo nossas fotos e contemplando o local, juntamente com mais uma miriade de turistas.

Caminhamos em direção ao Wayna Picchu, mais uma escalada por escadas de 1 h.

Foi uma manhã bem agitada com diferentes ações. Desde escalaminhadas por escadas, filmagens, depoimentos, agradecimentos, contemplações, e que em alguns minutos de silêncio e simples observação foram necessários para lembrar onde voces estava há 05 dias atrás e como fez para chegar até aqui.

Descemos para Águas Calientes para almoçar e nos preparar para pegar o trem para retornar à Cuzco.

A viagem de volta foi, claro, recheada de emoções, e temperada com bom humor na sua grande parte das vezes.

Já em Cuzco novamente as 22hs, buscamos local para jantar e já começar a nos despedir. Parte da equipe já embarcava na madrugada de quinta para sexta. Os demais na sexta a tarde e mais alguns outros no sábado pela manhã.

Conseguimos ainda passear em Cuzco mais um dia, procurar “recuerdos” para familiares e gravar um pouco mais dessa cultura e experiência Andina.

Um muito agradecido a todos.

Nos vemos pelo planeta.

São Paulo, 15 de Agosto de 2014

Alexei A. Caio

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